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IBS e CBS no Simples Nacional: Como Ficará o Cálculo para Restaurantes

IBS e CBS no Simples Nacional: Como Ficará o Cálculo para Restaurantes

A Reforma Tributária do consumo trouxe uma mudança estrutural para os restaurantes, bares e lanchonetes optantes pelo Simples Nacional. A partir de 2026, esses estabelecimentos passam a conviver com uma escolha estratégica que pode definir a competitividade do negócio: manter o recolhimento tradicional dentro do DAS ou adotar a apuração híbrida, com IBS e CBS por fora.

A decisão deixou de ser apenas tributária e passou a envolver perfil de clientes, contratos B2B, geração de créditos e posicionamento no mercado. Para o setor de alimentação, em que existe um regime específico com redução de 40% nas alíquotas, o cálculo ganha camadas adicionais que precisam ser compreendidas com clareza.

A seguir, explicamos como ficará o cálculo, em que situações cada modelo é mais vantajoso e como restaurantes e bares devem se preparar.

O Simples Nacional híbrido na Reforma Tributária

Com a Lei Complementar 214/2025, o Simples Nacional foi mantido como regime simplificado, mas passa a operar de forma híbrida em relação aos novos tributos sobre o consumo. A divisão funciona assim:

  • IRPJ, CSLL e CPP continuam recolhidos dentro do DAS em ambos os modelos
  • IBS e CBS substituem ICMS, ISS, PIS e Cofins e podem ser apurados dentro ou fora do DAS, conforme a escolha da empresa
  • quem opta pela apuração híbrida mantém IRPJ, CSLL e CPP no DAS e passa a apurar IBS e CBS pelo regime regular, com créditos integrais

O Simples Nacional não desaparece, mas convive com uma nova possibilidade de segregação dos tributos sobre o consumo. A escolha entre as duas formas de apuração precisa ser feita com base em dados objetivos da operação.

Como ficará o cálculo para restaurantes e bares

A LC 214/2025 estabeleceu um regime específico para o setor de alimentação fora do lar. Esse regime se aplica de maneira diferente conforme o caminho escolhido pela empresa.

Simples tradicional (IBS e CBS dentro do DAS)

Nesse modelo, o restaurante continua recolhendo todos os tributos pelo DAS, com base nas faixas de faturamento das tabelas do Simples. As características são:

  • apuração simplificada em guia única
  • crédito de IBS e CBS para o cliente pessoa jurídica limitado ao valor recolhido pelo Simples
  • manutenção da praticidade administrativa
  • adequação para estabelecimentos com público majoritariamente pessoa física

Apuração híbrida (IBS e CBS por fora do DAS)

Aqui, o restaurante segue no Simples para tributos diretos (IRPJ, CSLL, CPP), mas migra para o regime regular em IBS e CBS. As principais consequências são:

  • aplicação do regime específico de bares e restaurantes, com alíquotas de IBS e CBS reduzidas em 40%
  • direito a crédito sobre insumos, energia, gás, embalagens, serviços contratados e demais aquisições qualificadas
  • geração de créditos integrais para clientes pessoa jurídica
  • maior complexidade de apuração e necessidade de sistemas e controles adequados

A alíquota efetiva no regime específico tende a ficar próxima de 16,8%, considerando a alíquota padrão estimada em 28% e a redução de 40%.

A pressão competitiva no mercado B2B

Um dos pontos mais sensíveis da Reforma Tributária para o setor de alimentação é o efeito sobre o relacionamento com clientes do Lucro Presumido e do Lucro Real. Esses clientes apuram IBS e CBS pelo regime regular e dependem do crédito sobre suas compras para reduzir sua carga tributária.

Quando o restaurante está no Simples tradicional, o crédito repassado é reduzido. Para o cliente PJ, isso pode significar:

  • custo tributário maior na contratação dos serviços do estabelecimento
  • preferência por fornecedores que ofereçam crédito integral
  • renegociação de contratos e descontos para compensar a perda de crédito
  • em casos extremos, substituição do fornecedor

Para restaurantes e bares com forte atuação corporativa, eventos, fornecimento para hotéis, refeições para empresas e contratos B2B, manter-se no Simples tradicional pode comprometer a competitividade. Nesses casos, a apuração híbrida tende a ser a escolha mais segura.

Como avaliar o melhor caminho

A definição entre Simples tradicional e apuração híbrida deve considerar dados concretos do negócio. Os principais critérios são:

  • perfil dos clientes: predominância de pessoa física ou pessoa jurídica
  • volume de operações B2B, eventos, delivery corporativo e contratos com empresas
  • estrutura de custos e participação dos insumos tributados na operação
  • capacidade administrativa para apurar débitos e créditos de IBS e CBS
  • margem de lucro e elasticidade de preço dos produtos vendidos

Restaurantes voltados ao consumidor final, com baixo volume de vendas para PJ, tendem a se beneficiar da praticidade do DAS. Já estabelecimentos com forte componente corporativo precisam considerar o impacto da geração de créditos cheios.

Vantagens e riscos da apuração híbrida

A escolha pela apuração de IBS e CBS por fora do DAS oferece ganhos relevantes, mas exige preparação.

Vantagens

  • maior competitividade junto a clientes pessoa jurídica
  • direito a créditos amplos sobre insumos e serviços adquiridos
  • aplicação plena do regime específico do setor com redução de 40%
  • acesso facilitado a contratos com empresas que exigem crédito integral

Riscos

  • aumento da complexidade na apuração e nas obrigações acessórias
  • possibilidade de elevação da carga efetiva em operações com poucos insumos tributados
  • necessidade de adequação de sistemas, PDVs e ERPs
  • risco de erros na declaração que comprometam o crédito do cliente

O papel do contador na decisão

A análise entre Simples tradicional e apuração híbrida não pode ser feita por intuição. Depende de simulações com dados reais do estabelecimento. O contador atua nesse processo em diversas frentes:

  • levantamento detalhado do mix de clientes e do volume de operações B2B
  • cálculo comparativo entre as duas formas de apuração ao longo da transição
  • avaliação do regime específico do setor e dos créditos passíveis de aproveitamento
  • adequação dos sistemas fiscais e revisão dos contratos comerciais
  • acompanhamento dos atos da Receita Federal, do Comitê Gestor do IBS e das Secretarias de Fazenda
  • orientação sobre o cronograma de transição até 2033

Na Fortez Contabilidade, ajudamos sua empresa a definir o melhor modelo de apuração de IBS e CBS no Simples Nacional para restaurantes e bares.

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